Política

Renan Calheiros assume comando de comissão que acompanha o Caso Banco Master

Movimento legislativo reforça escrutínio político e institucional sobre um dos maiores escândalos financeiros em curso no Brasil

Por Thayanne Magalhães com Agências 27/01/2026 13h32
Renan Calheiros assume comando de comissão que acompanha o Caso Banco Master
Renan Calheiros - Foto: Pedro França/Agência Senado/Flickr

O senador Renan Calheiros (MDB) assumiu a presidência da comissão especial do Senado Federal criada para acompanhar as investigações do chamado Caso Banco Master, um dos episódios mais complexos envolvendo regulação financeira e possíveis irregularidades no sistema bancário brasileiro. A iniciativa se dá no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), cuja presidência Renan exerce, e se traduz em um grupo de trabalho com poderes para solicitar informações oficiais, apresentar requerimentos de convocação e promover debates públicos sobre o andamento das investigações.

A comissão foi formalizada em 15 de janeiro de 2026 e compõe um grupo de sete senadores, incluindo nomes transversais ao espectro político. O colegiado terá atuação semelhante à de uma CPI informal, acompanhando os desdobramentos de investigações que tramitam com sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e também no Tribunal de Contas da União (TCU).

O caso gira em torno da liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC), medida que expôs supostas fraudes financeiras — como investimentos em ativos sem lastro econômico demonstrado — e colocou sob análise a atuação de órgãos reguladores como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o próprio BC.

O chamado “Caso Master” e seus efeitos


O Banco Master foi alvo de intervenção e depois liquidação pelo Banco Central, após sinais de problemas de liquidez e estrutura operacional precária, o que desencadeou uma série de ações da Polícia Federal e processos de investigação em diferentes instâncias judiciais e de controle.

Autoridades em Brasília destacam que há elementos que merecem atenção legislativa, como:

- A suposta pressão política sobre o TCU para tentar reverter a liquidação da instituição — acusação feita pelo próprio presidente da CAE, Renan Calheiros, contra o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), ambos citados em declarações públicas por suposta tentativa de influenciar o Tribunal sobre decisões relativas ao Banco Master.

- O andamento de oitivas sigilosas da Polícia Federal no STF envolvendo executivos do Master e pessoas ligadas à negociação de ativos com o Banco de Brasília (BRB).

- Debates sobre rupturas ou reformulações na supervisão de fundos de investimento, com críticas à atuação da CVM e discussões sobre o papel de fiscalização no atual arcabouço regulatório brasileiro.

Relevância institucional e tensões políticas


A criação dessa comissão reflete uma crescente tensão política e institucional em Brasília, que ultrapassa o escopo financeiro estrito e coloca em pauta a relação entre o Congresso, órgãos de controle e o Judiciário. A atuação de Renan Calheiros sinaliza o interesse do Legislativo em fortalecer a supervisão política sobre casos que envolvem potenciais falhas regulatórias e riscos sistêmicos, enquanto segmentos do mercado e autoridades defendem modelo robusto de fiscalização que não comprometa a estabilidade do sistema financeiro.

Parlamentares como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) destacam que as investigações devem ser amplas — incluindo lavagem de dinheiro, relações políticas e fluxo de recursos — e que a presença de um grupo de trabalho no Senado é uma resposta necessária diante da magnitude das alegações.

O que vem pela frente


A comissão deve instalar-se formalmente nas próximas semanas e iniciar um ciclo de ações que inclui convites a autoridades, requisição de documentos e possíveis audiências públicas. O desdobramento dessas atividades pode influenciar não apenas o destino das investigações, mas também a agenda regulatória e de reformas do sistema financeiro no Parlamento. A crescente atenção ao “Caso Master” pode ainda resultar em iniciativas legislativas mais amplas, como a proposta de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) com apoio de dezenas de parlamentares.